Política das imagens: produção e circulação de imagens na esfera pública


Proposta de disciplina intensiva | 1º interstício de 2019

Nível: Mestrado/Doutorado

Carga Horária: 45 | Créditos: 3

Professor: Felipe Cardoso de Mello Prando

Ementa: Imersos em um mundo de imagens carregadas de conceitos e derivadas de condições produtivas bastante específicas, somos, muitas vezes, condicionados a não ver absolutamente nada ou a ver somente os clichês visuais que suscitam, por associação, clichês linguísticos no espectador. Pensar uma política das imagens é operar uma crítica de nossos próprios clichês através da compreensão dos campos de força e relações que produzem subjetividades e signos dos sistemas culturais. As imagens existem nestes campos de força e relações, e, ao mesmo tempo, os constitui. Nesta dobra mostra-se a esfera pública que, desde o iluminismo, é o espaço do debate público, da circulação de informações e imagens e da produção de visibilidades e invisibilidades. Através da apresentação de trabalhos de artistas (Act Up, Ne Pas Plier, Reclaim the Streets, Alfredo Jaar, Harun Farocki) e da análise de textos sobre esfera pública (Chantal Mouffe, Rosalyn Deustche, Nancy Fraser) e imagem (George Didi-Huberman, Walter Benjamin), o curso propõe uma reflexão sobre a política das imagens através da investigação da produção e circulação das imagens na esfera pública.


Plano de aulas (5 dias, duas aulas por dia)

  1. Reclaim the Streets (1999): carnaval global / Introdução ao estudo sobre a política das imagens. Apresentação da disciplina.
    • BLANCO, 2001.
  2. Esfera pública e produção do dissenso.
    • MOUFFE, 2007.
  3. Act Up (1988): não coloque um preço na vida.
    • EXPOSITO, 2015.
  4. Esfera pública como espaço da aparição e a sobreposição dos dispositivos.
    • FOUCAULT, 1979.
  5. Ne Pas Plier (1994): resistência-existência.
    • BLANCO, 2011.
  6. Esfera pública como espaço de aparição e negociação das imagens.
    • DEUSTCHE, 2008.
  7. Alfredo Jaar (1996-2002): o lamento das imagens.
    • VALDÉS, 2006.
  8. O sequestro das imagens pelo nada ou pelo execesso.
    • DIDI-HUBERMAN, 2018.
  9. Harum Farocki (2010): sol sem sombra.
    • MOURÃO et. al., 2010.
  10. Restituir as imagens à esfera pública.
    • DIDI-HUBERBAN, 2018, p. 85-222.

Bibliografia Básica:

  • BLANCO, Paloma, et. al. (org.) Modos de hacer: arte crítico, esfera pública y acción directa. Salamanca: Ed. Universidad de Salamanca, 2001.
  • DEUSTCHE, Rosalyn. Agorafobia. Quaderns portàtils 12. Barcelona: MACBA, 2008.
  • DIDI-HUBERMAN, George. A imagem queima. Curitiba: Ed. Medusa, 2018.
  • ____. Abrir os tempos, armar os olhos: montagem história, restituição. In: Remontagens do tempo sofrido: o olho da história, II. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2018, p. 85-222.
  • FOUCAULT, Michel. Sobre a história da sexualidade. In: ____. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1979.
  • MOUFFE, Chantal. Prácticas artísticas y democracia agonística. Barcelona: MACBA-UAB, 2007.

Bibliografia Complementar:

  • AGAMBEM, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Chapecó: Argos, 2009.
  • BENJAMIN, Walter. Walter Benjamin: obras escolhidas (magia e técnica, arte e política). Rio de Janeiro: Brasiliense, 1985.
  • ____. Walter Benjamin: obras escolhidas (rua de mão única). Rio de Janeiro: Brasiliense, 1987.
  • CRARY, Jonathan. 24/7: capitalismo tardio e os fins do sono. São Paulo: Cosac Nayf, 2014.
  • DELEUZE, Gilles. Conversasões: 1972-1990. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
  • DEUTSCHE, Rosalyn. Arte de ser testemunha na esfera pública dos tempos de guerra. In: Concinnitas, Ano 10 – Vol.2, n. 15, dez. 2009.
  • DIDI-HUBERMAN, George. Ante el tiempo: história del arte y anacronismo de las imágenes. Buenos Aires: Adriana Hidalgo editora, 2008.
  • ____. Quando as imagens tomam posição: o olho da história I. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2017.
  • FOUCAULT. A Verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: Nau Ed., 1996.
  • ____. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Ed. Vozes, 1994.
  • ____. Microfísica do Poder.Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1979.
  • FRASER, Nancy. Repensando la esfera pública: una contribuición a la crítica de la democracia actualmente existente. Ecuador debate, n. 46. Quito, Ecuador, abril de 1999.
  • JUNG, Ana Emilia. Arte Ocupação: práticas artísticas e a invenção de modos de organização. 185 fls + encartes. Tese de doutorado. PPGAV, USP, São Paulo, 2018.
  • MOUFFE, Chantal. Quais espaços públicos para práticas de arte crítica?. In: Arte & Ensaios: revista do PPGAV-EBA-UFRJ, n.27, dez. 2013.
  • MOURÃO, Maria Dora; BORGES, Cristian; MOURÃO, Patrícia (org.). Harun Farocki: por uma politização do olhar. São Paulo: Cinemateca Brasileira, 2010.
  • PARENTE. André. Cinema em trânsito: cinema, arte contemporânea e novas mídias. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2011.
  • SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
  • VALDÉS, Adriana (org.). Alfredo Jaar: La política de las imágenes. Santiado de Chile: Metales Pesados, 2008.
  • ____. JAAR/SCL/2006. Barcelona: Ed. Actar, 2006.

Artistas e coletivos elencados:

  • Act Up, EUA
  • Alfredo Jaar, Chile
  • Alfredo Márquez, Peru
  • Antoni Muntadas, Espanha
  • CADA, Colectivo de Acciones de Arte, Chile
  • E.P.S. Huayco, Peru
  • Felix Gonzalez Torres, Cuba-EUA
  • Frente 3 de Fevereiro, Brasil
  • GAC, Grupo de arte Callejero, Argentina
  • Grada Kilomba, Portugal
  • Harum Farocki, Alemanha
  • Las Agencias, Espanha
  • Milla Jung, Brasil
  • Ne Pas Plier, França
  • Reclaim the Streets, Inglaterra
  • Siluetazo, Argentina
  • The yes men, EUA
  • Tucuman Arde, Argentina
  • Vasco Araújo, Portugal